segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Sobre Binóculos

Este é um instrumento que todo sobrevivencialista deve ter. A capacidade de observar a chegada de potenciais perigos enquanto estão á uma boa distância é extremamente importante em situações de crise. O artigo à seguir é uma ligeira introdução ao assunto.

Significado da numeração.

Os binóculos contem em sua embalagem uma numeração escrita da seguinte maneira:

7x35 ou 10x50

Nos exemplos acima, o número antes do x significa quantas vezes a imagem será ampliada em relação a que o olho humano enxerga. No primeiro, 7 vezes, e no segundo, 10 vezes. O número após o x indica o diâmetro das lentes, em milímetros. No primeiro caso, 35mm e no segundo 50mm. Lentes mais longas ampliam mais a imagem do que lentes mais curtas, mas, em contrapartida, a imagem é mais escura, pois numa lente mais longa, menos luz alcança o olho do observador. Além disso, é mais difícil focalizar o objeto observado com lentes mais longas.

Lentes

A maioria dos binóculos de qualidade possui lentes de vidro, que possuem melhor qualidade que suas equivalentes de plástico (algumas lentes de plástico conseguem ter uma qualidade similar as de vidro e, embora mais leves e mais resistentes à impactos, são tão caras quanto lentes de vidro). O vidro é naturalmente reflexivo, o que causa efeitos indesejados nas imagens. Para evitar isso, as lentes de um binóculo recebem uma ou mais camadas de material anti-reflexivo. Eis as classificações:

C - Coated - Nos binóculos mais baratos, apenas algumas lentes recebem uma camada anti-reflexo.
FC - Fully Coated - Todas as lentes do binóculo recebem uma camada anti-reflexo.
MC - Multi Coated - Todas as lentes do binóculo tem camada anti-reflexo, mas algumas recebem mais de uma camada, o que melhora a qualidade.
FMC - Fully Multi Coated - Todas as lentes do binóculo recebem muitas camadas anti-reflexo. Estes possuem altíssima qualidade e são caros.

Oculares

Estas devem estar a uma distância confortável dos olhos (algo entre 5 e 20mm). Mas se você usa óculos, esta distância deve ser de no mínimo 14mm. Geralmente as oculares vem com proteções de borracha, para melhorar a observação. Quem usa óculos deve ,portanto, optar por modelos que possuem proteções retráteis ou removíveis, ou por aqueles cujas oculares podem ser ajustadas para compensar determinados problemas de visão.

Foco

Alguns binóculos possuem foco ajustável, que podem ser de dois tipos, central e corretor dióptrico. Outros, não possuem tal funcionalidade e a imagem só fica em foco em uma distância pré-estabelecida. Os do primeiro tipo, embora mais caros, são muito mais versáteis.

Tipos de prisma

Existem dois tipos de prismas usados em binóculos, que definem a montagem das lentes. Porro e Roof, como mostrado na fotografia abaixo:


Os binóculos com prisma Porro eram de qualidade ótica muito superior aos de prisma Roof. Porém, esta diferença desapareceu nos últimos anos. Hoje, os de prisma Roof são mais usados porque são mais resistentes, leves e compactos. 

Modelos à venda no Brasil

As melhores marcas de binóculos existentes são as seguintes:

Bushnell, Nikon, Zeiss, Zhumell e Steiner.

Fiz uma pesquisa bem superficial na internet, e encontrei binóculos Bushnell por preços em torno dos 500 reais, Nikon em torno dos 1900 reais, Steiner, em torno dos 1500 reais, e Zeiss por quase 10 mil reais. Todos, modelos novos. Porém, dá para encontrar binóculos usados dessas marcas por uma fração do preço. Porém, um aviso: Binóculos usados podem ter problemas como desalinhamento de seus elementos causado por impactos, mofo nas lentes, etc. 
Um fato frustrante é que modelos que são muito caros aqui são bastante acessíveis em países como os EUA. Um Nikon 7247, que aqui custa em torno de 2000 reais, lá custa cerca de 200 dólares, algo em torno de 700 reais. 

Qual o melhor binóculo para um sobrevivencialista?

Um binóculo 7x35 possibilita uma ampliação suficiente para percebermos a aproximação de pessoas e veículos a uma boa distância. São leves e compactos, o que é uma facilidade na hora de transportar. Modelos com ampliações maiores, podem ser mais pesados, com imagens mais escuras e se prestam para atividades mais específicas, como observação de aves. Sem falar que, são mais caros. 

Este artigo foi apenas uma introdução ao tema. Portanto, seguem alguns links para quem quiser se aprofundar no assunto:


Boa leitura!

Fiquemos de olho!! Literalmente! :)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Como Você Guarda Informação?

A internet é uma fonte quase inesgotável de informação. Nela, encontramos conteúdo sobre qualquer assunto. Dentro de nossa área, preparação e sobrevivencialismo, a quantidade de material informativo (incluindo este blog) é vasta. De tutoriais de como montar uma armadilha para caçar pequenos animais até os tipos de comida liofilizada existentes no mercado, tem de tudo.
Mas, como você armazena toda esta quantidade de informação?
Hoje em dia, tornou-se muito comum armazenar muita coisa na nuvem, ou seja, em servidores online. Isso permite que os arquivos sobrevivam a possíveis problemas que podemos enfrentar com computadores pessoais, tablets ou celulares, tais como falhas no hardware, no software, furtos, roubos, etc. No mundo normal, a nuvem é a melhor maneira de armazenar dados. Mas, e se enfrentarmos um cenário de crise que implique, por exemplo, em quedas de energia? Sabemos que a internet é extremamente dependente de eletricidade para funcionar (e, ultimamente, com cada vez mais sistemas de controle online, as redes de energia elétrica precisam da internet para funcionar, criando uma interdependência mútua). Todos os dados que armazenamos estariam totalmente fora do alcance na hora em que mais precisaríamos deles.
Nos resta então, a possibilidade de armazenar informações nos nossos próprios dispositivos. Abaixo segue uma lista de dispositivos, com suas vantagens e desvantagens do ponto de vista sobrevivencialista.

Notebooks: Até bem pouco tempo, os notebooks eram muito mais caros que um desktop de desempenho similar. Mas isto hoje não corresponde mais à verdade. Hoje existem notebooks, especialmente nas faixas mais baixas e intermediárias de preço, com desempenho similar à seus equivalentes de mesa. O notebook tem vantagens claras, tais como o tamanho, que possibilita o seu transporte em mochilas ou bolsas pequenas, e o fato de ter uma fonte de energia independente. Existem modelos (caros) cujas baterias podem fazê-los funcionar por 10, 12 horas. Mas, mesmo modelos mais em conta tem baterias que suportam mais de 6 horas de funcionamento. E, existem, por um preço bem acessível, carregadores para notebooks que usam energia solar, que podem ser conectados à entradas elétricas específicas de automóveis, ou até mesmo,usam energia muscular (dínamos). Outra vantagem dos notebooks é que eles possuem entradas USB, que podem receber pendrives e discos externos, para fins de backup e ampliação da capacidade de armazenamento de dados. A desvantagem de um notebook é a sua relativa fragilidade e, embora possua tamanho reduzido, ainda assim, em determinadas situações, pode ser difícil transportá-lo.

Notebook dos sonhos para sobrevivencialistas. 


Tablets: Os tablets são uma excelente opção para se armazenar informações. Embora, no geral, tenham menos poder de processamento que um notebook de preço similar, suas baterias tem uma duração tão grande quanto às dos notebooks mais caros, e são muito mais fáceis de transportar. Outra vantagem dos tablets é que eles podem ser utilizados facilmente em situações nas quais seria difícil ou impossível utilizar um notebook, como por exemplo numa caminhada. E, eles possuem diversos aplicativos que podem ser muito úteis, como por exemplo os de orientação e mapas. Mas eles não possuem muito espaço interno para armazenagem, mesmo aqueles que possuem entradas para cartões de memória (muito embora, este problema esteja rapidamente sendo sanado, pois já existem cartões de memória com 512 Gb de capacidade, o que é mais espaço do que possui boa parte dos discos rígidos de notebooks. Mas, ao menos por enquanto, trata-se de uma solução cara). Os cartões de memória porém, tendem a serem mais frágeis do que pendrives ou discos rígidos externos. E, da mesma maneira que os notebooks, suas baterias podem ser recarregadas de várias maneiras independentes da rede elétrica.

Esse tablet aguenta o tranco!


Celulares (Smartphones): Eles são tão versáteis e possuem tanta capacidade de armazenamento de informações quanto os tablets. Uma vantagem importantíssima do celular é que, mesmo sem internet wi-fi ou sinal de telefonia móvel, com os aplicativos certos, eles podem ser usados para mandar e receber mensagens (embora com alcance bem limitado)! Em um cenário de crise, tal característica pode via a ajudar muito. Porém, duas baterias não duram muito em uso contínuo, muito embora possam ser recarregadas da mesma maneira que as opções acima.



O ideal era que o sobrevivencialista tivesse os três métodos de armazenar informações à disposição, e que as informações consideradas mais importantes estivessem replicadas nestes meios. Seria interessante também fazer backups destas informações em discos rígidos externos, pendrives e cartões de memória sobressalentes.

Uma outra maneira de armazenar informações pouco considerada nos dias de hoje é em papel. Embora este tipo de armazenagem não precise de quaisquer fontes de energia para se tornar acessível, não é algo que possa ser transportado com muita facilidade. Seria bom, de qualquer maneira, ter material impresso, para o caso de tudo o mais falhar. Dependendo do cenário de crise, todos os dispositivos eletrônicos possam vir a falhar (como no caso de pulsos eletromagnéticos gerados por explosões atômicas no espaço kkkkkk), embora isto seja bastante improvável. Mas, falando sério, eletrônicos podem falhar, de uma hora para outra. Numa crise, eles provavelmente não poderiam ser facilmente consertados. Ter informações impressas, ao menos as mais importantes, é mais uma medida de precaução.

Mas, a melhor, mais resistente e mais portátil maneira de guardar informação é o cérebro humano. Aprender o máximo sobre tudo que permitirá a sobrevivência em cenários de crise. E, embora existam sobrevivencialistas que tentarão a sorte sozinhos, fazer parte de um grupo e compartilhar informações será muito mais eficiente para perpetuá-las. Aí, os dispositivos acima seriam encarados como meros organizadores de informação, cuja perda não seria excessivamente prejudicial.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Sobre Água, Presente E Futuro



Um dos temas mais recorrentes nesse blog diz respeito à água. Em 2014, a região Sudeste esteve muito perto de um colapso hídrico. No Nordeste, esta é a nossa realidade. Muitas das principais cidades continuam à beira de um total colapso no abastecimento de água.
Ontem, foi divulgado na imprensa mundial um alerta da ONU sobre a escassez de água potável no planeta. Durante a Cúpula Mundial da Água, que está sendo realizada em Budapeste, Hungria, o presidente da Assembléia Geral da ONU, Peter Thomson disse o seguinte:

"O mundo avança por um caminho que segue em direção ao insustentável".

A falta de água potável já afeta cerca de 40% da população mundial, devido à fatores como mudança climática, poluição e aumento populacional.
Ou seja, a situação se torna cada vez mais grave!
Mas, semana passada, me deparei com um evento numa rede social que me deixou atônito! Numa cidade que está prestes a entrar em colapso hídrico, algumas pessoas estavam sugerindo uma "guerra de bexigas de água" em um parque aqui de Campina Grande. Propor um evento desses é absurdo. Mas, mais absurdo ainda é o conjunto de mensagens de várias pessoas DEFENDENDO o evento! Tolices como "sou eu que pago a conta de água da minha casa", ou "não vão ser uma ou duas bexigas de água que acabarão com a água da cidade", ou ainda, "se o manancial secar, vão dar um jeito, pois sempre dão" foram usadas com justificativa.
Desde episódio, podemos extrair algumas lições:

As pessoas comuns não tem nenhuma noção da gravidade de uma crise hídrica (na verdade, de qualquer crise).
Elas vivem num universo paralelo, em que as soluções aparecem magicamente.
Uma pressão popular para exigir providências do poder público para, ao menos, traçar estratégias emergenciais para o abastecimento de instituições críticas ao funcionamento da cidade, se torna bastante difícil, pois boa parte das pessoas ignoram o óbvio, ou ficam à espera de um "milagre".

O cenário é extremamente preocupante. Se a maior parte de uma população não tem a consciência de que uma crise pode estar prestes a acontecer, ela não vai estar preparada e não vai sentir-se na obrigação de tomar medidas para evitar problemas. Então, os poucos que se preparam não tem porque se sentir otimistas.
Como citado no alerta da ONU divulgado acima. estamos rumando rapidamente em direção ao colapso, e não só hídrico. Porque a maioria acha que futuros distópicos jamais se transformarão em presente real. Mas é isto que estamos vivendo. Já vemos disputas por água se espalhando. Já vemos pessoas morrendo de sede aqui mesmo no Brasil. Vemos que as mudanças climáticas estão realmente acontecendo. O clima está deixando de seguir modelos historicamente estabelecidos e o que vem por aí é um mistério total.

Diante de tudo isso, percebo que o sobrevivencialista não tem só que se preparar para crises. Ele também tem que dar a sua contribuição social no sentido de tentar alertar o maior número de pessoas sobre o que está acontecendo.Qualquer pessoa que, por nossa causa, perceba que o mundo está mudando pode ser considerada uma vitória.

Links:

Alerta da ONU

Evento dos Balões de Água...

Mudanças Climáticas Afetam o Nordeste

Brasileiros Sem Água


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Sobre Fragilidade

A cidade onde moro, Campina Grande, está em vias de ficar sem abastecimento de água, como descrevi neste artigo. Mas não é sobre isso que quero falar.
Na última segunda-feira, esta cidade, e outras 70 da região, ficaram cerca de 4 horas sem energia elétrica, durante a manhã. Por sorte, muitas repartições públicas, escolas e outros serviços não abriram suas portas por causa do ponto facultativo decretado por causa do feriado de 15 de Novembro. Mas, mesmo assim, os transtornos foram imensos. O abastecimento de água foi interrompido (piorando ainda mais a já precária situação hídrica da cidade), o trânsito ficou bastante complicado, por causa do desligamento dos semáforos, a internet caiu na cidade toda, vários comerciantes relataram prejuízos, por causa de vendas não concretizadas e aparelhos eletrônicos queimados, centenas de pessoas ficaram presas em elevadores de prédios, entre outros problemas. A situação só se normalizou totalmente no final do dia.
A causa do problema foi um curto-circuito na subestação de energia que atende toda a região atingida. Mas, o motivo pelo qual aconteceu este curto-circuito é que é preocupante:

Falta de manutenção preventiva.

Semáforo apagado durante blecaute.

A companhia estatal responsável pela distribuição de energia elétrica na região alega que os investimentos para a manutenção caíram cerca de 30%, em relação ao mesmo período do ano passado. E alerta que este tipo de ocorrência pode se repetir, pois além da falta de manutenção, há fatores como o aumento de consumo durante o verão e a severa seca, que tem afetado a geração de energia por hidrelétricas na região Nordeste.
O que é assustador é que sabemos (e sentimos no bolso) que estamos atravessando um período de grave crise financeira e é impossível não pensar que problemas como os causados pela falha de manutenção na rede elétrica que abastece Campina Grande possam acontecer em outras redes, inclusive nas que abastecem as cidades mais importantes do país. É impossível não pensar também que este tipo de coisa possa acontecer com outros sistemas, como por exemplo, o de telefonia. Uma das principais operadoras de telefonia do país está em processo de recuperação judicial e existe uma real possibilidade de falência.
A dura verdade é que a cada dia que passa, novos fatores surgem com potencial para desestabilizar o nosso modo de vida. A conjunção de fatores como as mudanças climáticas, a crise econômica, a falta de medidas preventivas em todos os setores da sociedade entre outros, podem vir a nos causar danos dos quais demoraremos muito tempo para nos recuperarmos.

Geralmente nós, sobrevivencialistas, pensamos da seguinte maneira:

Preparar-se para o pior, mas esperando pelo melhor.

Mas eu me pergunto se, diante do panorama que vai se descortinando à nossa frente, se dá para esperar o melhor...

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Sobre Crises e Veículos de Fuga

A maioria dos sobrevivencialistas (e também de pessoas comuns) pensam em um veículo parecido com este para situações difíceis.


Embora não seja lá muito bonito, tem motor potente e tração nas quatro rodas, é preparado para terrenos diversos, tem espaço para pelo menos 5 pessoas e mais um bocado de bagagem.
Mas, suponhamos que você tem um desses, um refúgio em uma área afastada e mora na cidade. Aí, acontece uma situação de crise e o trânsito se transforma num verdadeiro caos. Então, de nada vai adiantar ter um desses, se as ruas estão engarrafadas. Ele pode parecer grande e forte, mas certamente não tem a capacidade de passar por cima de carros e caminhões parados.
Então, vem à mente outro veículo:


Interessante! Uma moto, embora leve no máximo duas pessoas e pouca bagagem, é pequena e ágil o suficiente para escapar do trânsito. Pilotando entre os corredores de carros, você não teria muita dificuldade em superar os engarrafamentos. Será mesmo? Quando o trânsito para por algum tempo, os motoristas, inquietos, começam a descer de seus carros. Numa situação de crise, poderiam acontecer acidentes que acabariam interditando totalmente várias vias. Sem falar que, numa moto, você estaria bem mais exposto à agressões e tentativas de assalto, E a situação seria até pior se você resolvesse usar uma bicicleta. Sozinho, dependendo da sua própria força física, e bem lento, seria presa fácil para quaisquer malfeitores.
Talvez a maneira mais eficiente de fugir de uma cidade em crise seja um helicóptero. Mas isso não cabe na maioria absoluta dos orçamentos sobrevivencialistas. :D

O que quero dizer com tudo isso é que o melhor veículo de fuga é... a informação!
Perceber que uma crise pode estar prestes a se desenrolar em sua cidade faz com que você não precise de um super veículo de fuga. O seu carro, a sua moto, a sua bicicleta são ótimas maneiras de se sair da cidade se você sair na hora certa. Acredito que um outro fator que influencia no sucesso de uma fuga da cidade está relacionado ao local onde se mora. É mais provável conseguir sair de uma cidade pequena que de uma grande. É mais provável que os moradores dos subúrbios nas cidades grandes tenham menos dificuldades de sair do que aqueles que moram em áreas centrais.
Agora, claro que existem situações de crise que acontecem sem aviso. Nesses casos, talvez seja melhor não tentar sair da cidade, pelo menos num primeiro momento. Se você está preparado para sair, também deve estar preparado para ficar. Dependendo do tipo e duração da crise, ficar em casa esperando a poeira baixar pode ser a melhor solução. Mas, se não resta outra opção a não ser sair, use seu veículo de fuga. Mas tenha em mente que ele pode se tornar inútil em muito pouco tempo e você vai ter que andar... e muito.
Mas, continuo a achar que, quem tem o sobrevivencialismo como filosofia de vida deve procurar viver fora das cidades. Ou ao menos em cidades menores.

Boa noite a todos!


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Sobre Crises e Corrupção

Quando pensamos em crises generalizadas, geralmente vem à mente uma série de coisas, de desastres naturais à ataques à infra-estrutura. Mas existe um agente que talvez não seja levado em conta por muitos sobrevivencialistas. A corrupção.
Um exemplo claro de como a má administração causou tragédias localizadas, mas muito graves foi o vazamento de lama em Mariana. Bastaria que os órgãos de fiscalização fizessem seu papel que os problemas da barragem da Samarco teriam sido detectados à tempo e providências teriam sido tomadas a fim de evitar o seu rompimento.
Mas, a questão é bem mais complicada do que parece à princípio. Existe uma gigantesca batalha econômica por trás das administrações governamentais. Ninguém é tão estúpido para não perceber diversos problemas que, com soluções relativamente simples poderiam ser evitados. O negócio é: Quanto isso vai custar? Quanto isso vai afetar os meus lucros? Que alternativas minha empresa teria para achar uma solução mais barata?  Então, muitos empresários, que visam somente os lucros, embora as suas empresas invistam em propaganda (enganosa) para fingir que se importam com o meio-ambiente e com as pessoas, acabam "fazendo de reféns" os gestores públicos (isto quando eles próprios não são os candidatos à cargos públicos). Num processo de "toma lá, da cá", grandes corporações bancam as campanhas políticas de candidatos aos cargos nas diferentes esferas de poder, e, em troca, interferem nos governos, apoiando leis e medidas que lhes beneficiem e barrando as que vão contra os seus interesses. O gestor público não passa de um fantoche das corporações, e coloca os seus interesses pessoais e financeiros acima dos da população, sem o menor remorso. E estas corporações, muitas vezes tem capital estrangeiro, especialmente de países onde a opinião pública já não permite certos tipos de exploração. O sistema está tão contaminado que as empresas pagam as campanhas de candidatos adversários entre si, numa clara demonstração de que, cada vez mais, elas é que detêm o poder na prática. E, mesmo empresas concorrentes acabam costurando acordos que as beneficiam mutuamente, como num gigantesco (e invisível) cartel.
Mesmo quando essas corporações acabam não conseguindo fazer valer os seus pontos de vista em escala governamental (o quem tem se tornado cada vez mais difícil de acontecer), e acabam sendo punidas pelos seus erros, como no caso de Mariana, as punições, além de brandas, ainda demoram muito tempo para serem cumpridas.
A frouxidão nos mecanismos de fiscalização aqui no Brasil é causado sim pela falta de recursos. Mas esses recursos são controlados por políticos atrelados à grandes empresas. Então, eles mantém esses mecanismos funcionando da pior maneira possível, apenas para dar uma resposta à sociedade civil e que, verdade seja dita, pouco se importa com isso. Talvez se órgãos como o IBAMA ou a FUNAI fossem extintos, quase ninguém notaria a sua falta. Não há nenhuma punição adicional se as empresas não cumprirem com seus acordos originais. E elas não se sentem compelidas à cumpri-los. Além disso, muitos fiscais, que procuram fazer o seu trabalho da melhor forma possível, são intimidados de muitas maneiras. Sem falar em alguns que, em troca de propina, simplesmente não fiscalizam, ou omitem falhas.
O problema é que chegamos à um ponto em que as decisões governamentais (ou a falta delas) envolvem áreas cada vez maiores, com consequências para um número cada vez maior de pessoas. Claro que as grandes corporações e seus empresários estão pouco se lixando para isso, O que se mostra de uma cegueira e estupidez impressionantes. Um exemplo.
A quase total permissividade ao desmatamento na Amazônia está alterando o regime de chuvas no Brasil. Estivemos muito próximos de um colapso hídrico na região mais rica do país, e é muito provável que a situação volte a se repetir num futuro próximo. Imagine uma cidade como São Paulo sem abastecimento de água. O colapso econômico resultante disso poderia trazer sérias consequências para o país inteiro.
E este tipo de comportamento se espalha pelo Brasil e pelo mundo. A ameaça é cada vez maior e os tentativas de deter este movimento destrutivo se tornam cada vez mais esporádicas e ineficazes. Uma prova disso é que, embora haja um grande apelo ecológico nas últimas décadas,  a devastação dos ecossistemas planetários jamais foi tão grande quanto nos últimos 40 anos. Cerca de 60% dos animais selvagens foram dizimados nesse período. Só neste século, o mundo perdeu 2 milhões de km² de área florestal; Isso equivale à uma área maior que a do estado do Amazonas.
Para completar, temos uma opinião pública totalmente alienada e desinteressada. Vemos importantes centros urbanos brasileiros com uma série de problemas, que vão desde a segurança, passando por transporte, até o abastecimento de água, e as pessoas aceitam isso de forma passiva e natural. É impressionante notar que a mobilização criada em torno da proibição das vaquejadas no país foi muito maior do que a discussão sobre o abastecimento de água nas cidades em regime de racionamento. Não vou entrar no mérito da legalidade ou não da vaquejada. Mas certamente é um assunto sem importância, se comparado à água. Existem centenas de outros absurdos dos quais sequer ficamos sabendo. Mas, sinceramente, saber deles não modificaria grande coisa.
Diante deste cenário, onde temos uma política de exploração predatória, de mudanças climáticas e ambientais causadas por este modelo, de baixíssimos investimentos em prevenção e controle de desastres e do desinteresse total da maioria da população, além da corrupção desenfreada, devemos nos preparar para dias difíceis, embora sempre esperando que um milagre aconteça e que o futuro, de repente, se torne menos assustador.

"Somente quando for cortada a última árvore, poluído o último rio, pescado o último peixe, é que o homem vai perceber que não se pode comer dinheiro."
Greenpeace

Esta é uma reflexão um pouco mais profunda sobre este artigo que escrevi anteriormente.


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

A Crise Hídrica Em Imagens

Sou fotógrafo profissional, e, faço um trabalho documental da cidade onde vivo e de suas cercanias. E nada melhor do que imagens para descrever a situação cada vez mais perigosa que estamos vivendo. Já estamos a mais de um ano sem chuvas significativas, e o racionamento de água na cidade é brutal. 
É por causa disso que temos que ter uma filosofia de vida sobrevivencialista...

Manancial seco

Canal seco

Plantações esturricadas pelo sol inclemente e falta de água


Fontes de água secas

Potes com água para enfrentar o racionamento nas casas mais pobres