Ontem, num post sobre a possibilidade de tempestades solares e seus efeitos na nossa civilização, em um grupo numa rede social, vi o seguinte comentário:
- Todo mês essa notícia aparece, e nada acontece...
Quem faz este tipo de comentário quer que "alguma coisa aconteça". Como assim? Uma tempestade solar pode levar nossa civilização à era pré-eletrônica. É isso que essa pessoa, que se diz sobrevivencialista, deseja? Seria uma tragédia inimaginável! Pensem nas pessoas que estão em UTIs, ou que usam dispositivos ou tratamentos que dependem de eletricidade para funcionar. Poderia ser qualquer um de nós. Pensem nos milhões de pessoas que ficariam encurraladas em metrôs, elevadores ou outras máquinas. Por mais que nos preparemos, um evento dessa natureza poderia acontecer numa hora em que estivéssemos num local totalmente inadequado.
Quem pensa assim, acha que vai sobreviver tranquilamente ao caos, escondido atrás de suas preparações no seu refúgio, ou caçando/coletando alimentos no mato. Não vai ser assim!
Se tomarmos por base o comportamento das pessoas em cenários de crise localizada, como em terremotos, furações, ou até mesmo nas cidades atingidas pela onda de rejeitos de minério de ferro da SAMARCO, em que vimos disputas por água, pessoas sofrendo imensamente, saques, assassinatos. Por mais preparação que se possa fazer, não há nada que garanta 100% de chance de sucesso durante e após uma SHTF. Isso, sem falar nas condições psicológicas, mesmo daqueles que se julgam preparados.
Como você se sentiria se, de uma hora para outra, ficar impossibilitado de se comunicar com alguém que esteja ao menos na esquina? Como seria ficar sem acesso à nenhum tipo de informação? Como seria, mesmo preparado, ver a geladeira desligada, as luzes sem acender, a água sem sair das torneiras? Por mais preparado que estejamos, nossos recursos não são infinitos. Uma hora teremos que arrumar um jeito de arrumar mais. E como seria essa busca por recursos numa situação de SHTF?
Poderia escrever páginas e mais páginas sobre as inúmeras dificuldades de um mundo pós-SHTF. Me preparo para ter uma chance um pouco melhor de sobreviver à situações de colapso. Mas eu não quero que isso aconteça de jeito nenhum! O mundo pode até ser uma porcaria às vezes. Os sistemas de que dependemos podem até funcionar mal. Mas, pode ter certeza de que vai ser muito, muito, mas muito pior se a civilização vier abaixo por qualquer motivo.
Preparar-se é necessário.
E mais necessário ainda é desejar sempre o melhor e nunca o pior...
terça-feira, 24 de novembro de 2015
sábado, 14 de novembro de 2015
Terror?
Não, não vou falar da França.
Vou falar do Brasil mesmo!
Aqui existe terrorismo. Aqui pessoas inocentes também são baleadas por atiradores com AK-47. Aqui, pessoas são vitimadas por explosões terroristas. Mas não são explosões de dinamite, e sim de irresponsabilidade. E o que motiva os terroristas aqui é a ganância, o poder, o dinheiro.
Ouvi num dos telejornais que cobrem incessantemente o ocorrido na França que agora, os franceses não podem mais ter paz para ir à uma padaria e tomar um café sossegadamente. E nós? Será que podemos? Ninguém percebe que, em muitas padarias, restaurantes, lanchonetes e outros estabelecimentos, mesmo com seguranças armados, são vítimas de constantes assaltos, com requintes de crueldade e frieza análogas aos dos terroristas em Paris? Existem estradas aqui, seja no interior do Nordeste, seja na Linha Vermelha, no Rio de Janeiro, em que se corre sério risco de ser alvejado por balas perdidas. Os tiroteios são de tal intensidade que as pessoas, com seus filhos, são obrigadas a procurar abrigo debaixo de seus carros. Se isso não é terror, então não sei o que é.
A violência em nossas cidades chegou ao ponto em que muitas casas são verdadeiras fortalezas, com câmeras, cercas elétricas e outras medidas para tentar manter afastado o terror que é ser feito de refém por assaltantes, ou o terror de ver anos de trabalho serem levados, ou o terror absoluto de ver sua esposa, marido, pais ou filhos sob a mira de uma arma de um assaltante drogado.
E o terror de não ter água para beber, ou para higiene? Muitas cidades brasileiras estão sendo abastecidas por caminhões-pipa, pois seus mananciais secaram. E a ameaça que ronda o sistema elétrico, em que as usinas hidrelétricas e seus reservatórios em nível crítico nos assombram com possíveis apagões? Isso é aterrorizante.
Eu sinto muito pelas vítimas inocentes dos atentados em Paris. Mas, diferentemente do que a mídia insiste em empurrar goela abaixo nas pessoas, aqui também temos terrorismo. Eu sinto muito mais pelas crianças arrastadas por criminosos em um carro. Sinto muito mais pelas vítimas de um lamaçal tóxico. Sinto muito mais pelas vítimas das inúmeras balas perdidas em nossas metrópoles, ou pelo pai de família comerciante, brutalmente assassinado enquanto tentava garantir o sustento da família.
Só que não teremos nas redes sociais, ou nos noticiários, um milésimo da comoção mundial, ou mesmo nacional, gerada pelos atentados na França. Infelizmente.
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Sobre Dependência Eletrônica e Zumbis
Ultimamente, temos visto muitos casos, especialmente em grandes cidades, onde pessoas, guiadas por aplicativos de celular que usam GPS e mapas, ou pelos consoles interativos de seus carros modernos, entrarem em verdadeiras enrascadas. Falta bom-senso à muitas dessas pessoas, que confiam cegamente nestes aplicativos e mapas. As pessoas esqueceram de olhar para fora de seus veículos? Será que o senso de localização que guia a humanidade desde tempos imemoriais está sendo destruído pela eletrônica?
Um desses casos foi realmente absurdo. Um casal, procurando uma pizzaria na orla da cidade de Niterói, acabou errando totalmente o caminho e indo parar numa favela, muito distante do local aonde pretendiam ir. Os nomes das ruas, na orla e na favela eram parecidos. O resultado deste erro foi trágico. Mas, é um erro grotesco! Será que eles não perceberam, ao olhar o mapa que a rua NÃO era na orla? Será que eles não pensaram que poderia haver um erro, seja na digitação do nome da rua, seja no próprio mapa? É muito mais provável que, se eles tivessem que se orientar por placas e perguntas à taxistas ou frentistas, tivessem chegado ao local correto sem maiores problemas.
Um outro tipo de dependência, igualmente chocante, embora não tão mortal, foi ilustrado numa reportagem veiculada recentemente em rede nacional. Pessoas que não largam seus aparelhos de celular para absolutamente nada, nem na hora do sexo. Pior que isso, são capazes de interromper o ato se o dispositivo sinalizar a chegada de alguma mensagem!
Ao vermos episódios como esses, percebemos que uma possível crise mais séria pode ser muito mais devastadora psicologicamente do que pensamos. A dependência em relação aos celulares e seus diversos aplicativos, à computadores e outros meios eletrônicos é bem maior do que se admite. Como estas pessoas vão agir se, de uma hora para outra, enfrentarmos uma crise que impossibilite o uso, mesmo que de forma parcial, desses dispositivos?
A grande verdade é que a eletrônica tem tomado um espaço cada vez maior na vida das pessoas. Os relacionamentos interpessoais são feitos hoje muito mais via internet e smartphone do que qualquer outro meio. É impressionante, em reuniões sociais em que pessoas sentadas à mesma mesa preferem interagir através de seus aparelhos, ao invés de conversarem entre si. Muitos hoje são realmente incapazes de se desconectar. Mesmo quando estão dormindo!
Muitos sobrevivencialistas mais fantasiosos creem na possibilidade de um "apocalipse zumbi". E eu começo a também crer nisso. Só que, o apocalipse não se dará com pessoas se transformando em zumbis, e sim na "crise de abstinência eletrônica deszumbificante". A dura realidade de um mundo sem eletrônica, ou ao menos sem internet, será muito, muito dura para muitos. E o número de pessoas que se tornam dependentes demais da eletrônica só aumenta.
E você? É dependente da eletrônica?
Eu procuro ficar o mais independente possível. A maioria de meus artigos sempre são manuscritos e só depois colocados no computador. Quase não uso aplicativos de trocas de mensagens no celular. Ao ir para locais onde não conheço, antes de sair de casa, dou uma pesquisada num mapa da internet. Mas, quando não dá tempo, me guio por placas, e não tenho vergonha de perguntar à taxistas, frentistas, motoristas ou pedestres como faço para chegar em determinado local.
Temos que perceber que a eletrônica pode ser uma poderosa auxiliar em nossas vidas. Mas ela tem nos deixado "zumbificados". Durante a maior parte de sua história, a humanidade viveu sem eletrônica. Acredito que todo sobrevivencialista tem que se preparar para situações de desconexão. Mesmo que não enfrentemos este problema no intervalo de nossas vidas, é bom sempre desconectar, para manter a sanidade mental.
Um desses casos foi realmente absurdo. Um casal, procurando uma pizzaria na orla da cidade de Niterói, acabou errando totalmente o caminho e indo parar numa favela, muito distante do local aonde pretendiam ir. Os nomes das ruas, na orla e na favela eram parecidos. O resultado deste erro foi trágico. Mas, é um erro grotesco! Será que eles não perceberam, ao olhar o mapa que a rua NÃO era na orla? Será que eles não pensaram que poderia haver um erro, seja na digitação do nome da rua, seja no próprio mapa? É muito mais provável que, se eles tivessem que se orientar por placas e perguntas à taxistas ou frentistas, tivessem chegado ao local correto sem maiores problemas.
Um outro tipo de dependência, igualmente chocante, embora não tão mortal, foi ilustrado numa reportagem veiculada recentemente em rede nacional. Pessoas que não largam seus aparelhos de celular para absolutamente nada, nem na hora do sexo. Pior que isso, são capazes de interromper o ato se o dispositivo sinalizar a chegada de alguma mensagem!
Ao vermos episódios como esses, percebemos que uma possível crise mais séria pode ser muito mais devastadora psicologicamente do que pensamos. A dependência em relação aos celulares e seus diversos aplicativos, à computadores e outros meios eletrônicos é bem maior do que se admite. Como estas pessoas vão agir se, de uma hora para outra, enfrentarmos uma crise que impossibilite o uso, mesmo que de forma parcial, desses dispositivos?
A grande verdade é que a eletrônica tem tomado um espaço cada vez maior na vida das pessoas. Os relacionamentos interpessoais são feitos hoje muito mais via internet e smartphone do que qualquer outro meio. É impressionante, em reuniões sociais em que pessoas sentadas à mesma mesa preferem interagir através de seus aparelhos, ao invés de conversarem entre si. Muitos hoje são realmente incapazes de se desconectar. Mesmo quando estão dormindo!
Muitos sobrevivencialistas mais fantasiosos creem na possibilidade de um "apocalipse zumbi". E eu começo a também crer nisso. Só que, o apocalipse não se dará com pessoas se transformando em zumbis, e sim na "crise de abstinência eletrônica deszumbificante". A dura realidade de um mundo sem eletrônica, ou ao menos sem internet, será muito, muito dura para muitos. E o número de pessoas que se tornam dependentes demais da eletrônica só aumenta.
E você? É dependente da eletrônica?
Eu procuro ficar o mais independente possível. A maioria de meus artigos sempre são manuscritos e só depois colocados no computador. Quase não uso aplicativos de trocas de mensagens no celular. Ao ir para locais onde não conheço, antes de sair de casa, dou uma pesquisada num mapa da internet. Mas, quando não dá tempo, me guio por placas, e não tenho vergonha de perguntar à taxistas, frentistas, motoristas ou pedestres como faço para chegar em determinado local.
Temos que perceber que a eletrônica pode ser uma poderosa auxiliar em nossas vidas. Mas ela tem nos deixado "zumbificados". Durante a maior parte de sua história, a humanidade viveu sem eletrônica. Acredito que todo sobrevivencialista tem que se preparar para situações de desconexão. Mesmo que não enfrentemos este problema no intervalo de nossas vidas, é bom sempre desconectar, para manter a sanidade mental.
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Sobre barragens e crises
Desde que adotei a filosofia de vida sobrevivencialista, jamais vi um conjunto de situações tão nefasto, pelo menos aqui no Brasil, especialmente nas regiões Sudeste, Norte e Nordeste.
O que me assusta mais é, se de um lado a situação é extremamente preocupante, por outro, em plena "era da informação", nunca vi uma passividade tão grande. Chega a ser desesperador.
A poucos dias, aconteceu o terrível "acidente" da barragem de contenção de rejeitos de minério de ferro, em Mariana, Minas Gerais. Alertas já tinham sido feitos à respeito da inadequação da estrutura para suportar a quantidade de material nela estocado, e nada foi feito. Mais uma vez, o poder público se mostrou omisso e ineficaz, no que diz respeito à fiscalização. E o desastre, além de ter destruído dois vilarejos e feito um número ainda não conhecido de vítimas fatais, está contaminando a água de várias cidades, tanto em Minas como no Espírito Santo, numa época em que estes estados já enfrentam a pior crise hídrica de suas histórias.
Este episódio nos mostra, acima de tudo, que nunca estivemos tão sozinhos. O que se pode esperar para os próximos meses? A principal hidrelétrica do Nordeste, Sobradinho, tem pouco mais de 3% em seu reservatório. E da maneira como o sistema é configurado, se este vier a secar, boa parte do sistema de hidrelétricas nordestinas será duramente afetado, pois é a água de Sobradinho que faz com que o sistema de Paulo Afonso funcione em períodos de estiagem. E, assim como no caso da barragem, em que o poder público insistia em dizer que não havia riscos, apesar de várias evidências em contrário, ninguém deixa a população saber quais são as reais consequências para o sistema elétrico brasileiro, e em especial, nordestino, se as principais usinas hidrelétricas da região tiverem que paralisar sua produção. Ninguém fornece informações claras à respeito da quantidade de água exata que existe em muitos reservatórios, incluindo, o da cidade onde moro.Algumas pessoas ligadas à entidades independentes alegam que a água aqui acabará em 3 ou 4 meses.
A população está completamente anestesiada, passiva, em compasso de espera. Por mais que muitas entidades tentem alertá-la de que a situação jamais esteve tão complicada, e que planos de contingência precisam ser elaborados, quase ninguém liga. A preocupação principal da maioria é ficar na torcida à favor ou contra o impeachment presidencial, à favor ou contra a queda do presidente da câmara dos deputados, como se isso fosse um clássico futebolístico, e como se isso fosse resolver instantaneamente todos os problemas que temos.
Tendo a acreditar que muitos prefeitos querem que suas cidades entrem em situação de emergência, para ter acesso à recursos financeiros do governo federal de forma mais rápida e não precisar realizar licitações para o uso destes recursos em projetos. Mas, diante da situação econômica do país, isto, caso se confirme, pode ser um grande tiro no pé.
Vale um alerta para os sobrevivencialistas, bushcrafters e preparadores, especialmente das regiões afetadas pela crise hídrica:
Armazenem água. E quem puder, procure formas de conseguir energia sem depender do sistema. Quem não puder, tenha ao menos métodos de iluminação que não dependam da rede elétrica. Estoquem gás de cozinha.
Procuro sempre ser muito realista em meus posts. Este aqui pode soar como algo muito extremado. Mas, pelo que vemos em todas as esferas de atuação, do governo federal aos prefeitos, as providências necessárias para prevenir crises, ou ao menos estruturar planos emergenciais caso a situação se agrave simplesmente não existem. Assim foi com a barragem. Assim está sendo com os reservatórios. E assim será se (ou pior, quando) nossos reservatórios chegarem a 0%.
O que me assusta mais é, se de um lado a situação é extremamente preocupante, por outro, em plena "era da informação", nunca vi uma passividade tão grande. Chega a ser desesperador.
A poucos dias, aconteceu o terrível "acidente" da barragem de contenção de rejeitos de minério de ferro, em Mariana, Minas Gerais. Alertas já tinham sido feitos à respeito da inadequação da estrutura para suportar a quantidade de material nela estocado, e nada foi feito. Mais uma vez, o poder público se mostrou omisso e ineficaz, no que diz respeito à fiscalização. E o desastre, além de ter destruído dois vilarejos e feito um número ainda não conhecido de vítimas fatais, está contaminando a água de várias cidades, tanto em Minas como no Espírito Santo, numa época em que estes estados já enfrentam a pior crise hídrica de suas histórias.
Este episódio nos mostra, acima de tudo, que nunca estivemos tão sozinhos. O que se pode esperar para os próximos meses? A principal hidrelétrica do Nordeste, Sobradinho, tem pouco mais de 3% em seu reservatório. E da maneira como o sistema é configurado, se este vier a secar, boa parte do sistema de hidrelétricas nordestinas será duramente afetado, pois é a água de Sobradinho que faz com que o sistema de Paulo Afonso funcione em períodos de estiagem. E, assim como no caso da barragem, em que o poder público insistia em dizer que não havia riscos, apesar de várias evidências em contrário, ninguém deixa a população saber quais são as reais consequências para o sistema elétrico brasileiro, e em especial, nordestino, se as principais usinas hidrelétricas da região tiverem que paralisar sua produção. Ninguém fornece informações claras à respeito da quantidade de água exata que existe em muitos reservatórios, incluindo, o da cidade onde moro.Algumas pessoas ligadas à entidades independentes alegam que a água aqui acabará em 3 ou 4 meses.
A população está completamente anestesiada, passiva, em compasso de espera. Por mais que muitas entidades tentem alertá-la de que a situação jamais esteve tão complicada, e que planos de contingência precisam ser elaborados, quase ninguém liga. A preocupação principal da maioria é ficar na torcida à favor ou contra o impeachment presidencial, à favor ou contra a queda do presidente da câmara dos deputados, como se isso fosse um clássico futebolístico, e como se isso fosse resolver instantaneamente todos os problemas que temos.
Tendo a acreditar que muitos prefeitos querem que suas cidades entrem em situação de emergência, para ter acesso à recursos financeiros do governo federal de forma mais rápida e não precisar realizar licitações para o uso destes recursos em projetos. Mas, diante da situação econômica do país, isto, caso se confirme, pode ser um grande tiro no pé.
Vale um alerta para os sobrevivencialistas, bushcrafters e preparadores, especialmente das regiões afetadas pela crise hídrica:
Armazenem água. E quem puder, procure formas de conseguir energia sem depender do sistema. Quem não puder, tenha ao menos métodos de iluminação que não dependam da rede elétrica. Estoquem gás de cozinha.
Procuro sempre ser muito realista em meus posts. Este aqui pode soar como algo muito extremado. Mas, pelo que vemos em todas as esferas de atuação, do governo federal aos prefeitos, as providências necessárias para prevenir crises, ou ao menos estruturar planos emergenciais caso a situação se agrave simplesmente não existem. Assim foi com a barragem. Assim está sendo com os reservatórios. E assim será se (ou pior, quando) nossos reservatórios chegarem a 0%.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Sobre Saqueadores e Armas
Qualquer pessoa pode vir a se tornar um saqueador. Depende da situação. Imagine que você está numa cidade devastada por um desastre natural, onde não há água, luz, comunicações, polícia e outros benefícios da vida civilizada. Você e sua família estão com fome e sede. Mesmo que você vá à um supermercado e queira pagar por recursos, não há como, pois os sistemas de computadores que controlam as transações financeiras estão desligados. Então, você, sua família e milhares de outras pessoas não veem outra opção a não ser pegar à força o que estiver ao alcance, para não morrer. O desespero é tamanho que você pouco se importa com os riscos. Guardas armados, cercas, portas gradeadas, nada disso será obstáculo se você estiver com fome e sede, com seus entes queridos na mesma situação.
Os guardas até tentam conter o avanço dos desesperados, primeiro atirando para cima, depois atirando para matar. Mas as pessoas desesperadas são muitas e logo os guardas são dominados, soterrados, pisoteados pela avalanche de gente. Depois do saque, nenhum item sobra nas prateleiras. De ferramentas à comida de cachorro, passando por todo e qualquer produto, tudo é levado.
Enquanto isso, nos bairros da cidade, dava para escutar a intensa troca de tiros, e dava para ver as colunas de fumaça ao longe. Grupos de pessoas se organizaram e passaram a saquear casas sistematicamente. Alguns proprietários, que haviam guardado mantimentos preventivamente, tentavam resistir. Armados até os dentes, não hesitavam em matar quem se aproximasse de suas propriedades. Então, talvez por desespero, talvez por pura maldade, os atacantes jogavam bombas incendiárias nas casas...
Isto aconteceu em Nova Orleans, nos dias em que se seguiram à fúria do furacão Katrina, e também em vários outros locais vitimados por calamidades ao longo dos últimos anos.
As situações descritas acima foram extremadas, onde houve um total colapso das estruturas que mantem a civilização coesa.
Mas a pergunta é: Estamos realmente preparados para lidar com saqueadores?
Não precisamos de um Katrina para passarmos por situações perigosas envolvendo saqueadores. Até porque, muito embora a maioria das pessoas só recorreria à saques como última medida desesperada, existem pessoas sem escrúpulos, que o fariam por causa de certos produtos de valor, ou simplesmente pela "diversão". Além disso, saques geralmente são só um componente de distúrbios mais generalizados. Junto com os saques, costuma haver vandalismo, agressões físicas como espancamento e estupro. Não raro, ocorrem até mesmo assassinatos.
Estamos passando por um período propício às grandes manifestações. Muitas vezes, elas reúnem milhares, ou até mesmo milhões de pessoas nas maiores cidades. E, à exemplo do que ocorreu no Rio de Janeiro, nas manifestações contra o aumento das passagens em 2013, houveram muitos casos de vandalismo, saques e violência. Principalmente nesses casos, os saques são atos premeditados, feitos por pessoas que não estão desesperadas.
Em situações de crise, de colapso, os saques certamente serão inevitáveis. No começo, serão pessoas que se aproveitarão da inexistência de forças de segurança. Depois, quando a fome e a sede começarem a agir, aí serão quaisquer pessoas...
E aí vem as inevitáveis perguntas: Até onde você iria para proteger a sua casa/apartamento/refúgio de um saque? Você chegaria ao ponto de matar pessoas? E se os saqueadores fossem crianças famintas e desesperadas, você atiraria para matar? Ou você fugiria? Abandonaria tudo o que você guardou durante meses ou anos? Como você se sentiria ao fazer isso?
Se você se preparou, preparou um refúgio, quando o desespero atingir as pessoas e elas perderem todo e qualquer limite, você ainda estaria ao menos bem alimentado, e dono de suas faculdades mentais.
Na teoria, a gente pensa, ou elas ou eu. Mas na prática, para a maioria das pessoas, é muito difícil matar, especialmente os que seriam considerados mais frágeis num mundo civilizado, como crianças ou velhos.
Não vamos nos iludir. No caos, qualquer pessoa, até mesmo os preparadores, podem ser vítimas de saques (e outras situações perigosas). Mas acredito que essa possibilidade é muito maior quanto mais gente estiver no local. Acredito que todo sobrevivencialista que mora em grandes aglomerações humanas deva ter como objetivo viver em cidades menores, ou até mesmo em áreas rurais.
Acredito também que fazer de tudo para evitar enfrentamentos deva ser a estratégia a adotar. Ser o mais discreto possível (mesmo nos dias atuais) aumenta muito a possibilidade de se escapar de problemas.
Pense em tudo isso quando for se preparar. Armas são importantes, e podem garantir, em determinadas situações, a sua sobrevivência. Mas não ache que elas são a solução para tudo. Lembrem-se que algumas pessoas treinadas para matar, como policiais ou soldados, sofrem um impacto psicológico tremendo quando o fazem. Lembrem-se que armas são inúteis quando uma multidão ensandecida ataca. E acima de tudo, lembrem-se que por mais bem armado que um civil (especialmente aqui no Brasil) possa estar, em cenários de crise podemos esperar que, por exemplo, militares, armados com fuzis automáticos, veículos blindados e canhões, possam se tornar saqueadores. É claro que eles procurariam eliminar qualquer foco de resistência, e muito facilmente.
Um preparador precisa manter sempre os pés no chão. Não somos Rambos. Somos pessoas comuns...
Os guardas até tentam conter o avanço dos desesperados, primeiro atirando para cima, depois atirando para matar. Mas as pessoas desesperadas são muitas e logo os guardas são dominados, soterrados, pisoteados pela avalanche de gente. Depois do saque, nenhum item sobra nas prateleiras. De ferramentas à comida de cachorro, passando por todo e qualquer produto, tudo é levado.
Enquanto isso, nos bairros da cidade, dava para escutar a intensa troca de tiros, e dava para ver as colunas de fumaça ao longe. Grupos de pessoas se organizaram e passaram a saquear casas sistematicamente. Alguns proprietários, que haviam guardado mantimentos preventivamente, tentavam resistir. Armados até os dentes, não hesitavam em matar quem se aproximasse de suas propriedades. Então, talvez por desespero, talvez por pura maldade, os atacantes jogavam bombas incendiárias nas casas...
Isto aconteceu em Nova Orleans, nos dias em que se seguiram à fúria do furacão Katrina, e também em vários outros locais vitimados por calamidades ao longo dos últimos anos.
As situações descritas acima foram extremadas, onde houve um total colapso das estruturas que mantem a civilização coesa.
Mas a pergunta é: Estamos realmente preparados para lidar com saqueadores?
Não precisamos de um Katrina para passarmos por situações perigosas envolvendo saqueadores. Até porque, muito embora a maioria das pessoas só recorreria à saques como última medida desesperada, existem pessoas sem escrúpulos, que o fariam por causa de certos produtos de valor, ou simplesmente pela "diversão". Além disso, saques geralmente são só um componente de distúrbios mais generalizados. Junto com os saques, costuma haver vandalismo, agressões físicas como espancamento e estupro. Não raro, ocorrem até mesmo assassinatos.
Estamos passando por um período propício às grandes manifestações. Muitas vezes, elas reúnem milhares, ou até mesmo milhões de pessoas nas maiores cidades. E, à exemplo do que ocorreu no Rio de Janeiro, nas manifestações contra o aumento das passagens em 2013, houveram muitos casos de vandalismo, saques e violência. Principalmente nesses casos, os saques são atos premeditados, feitos por pessoas que não estão desesperadas.
Em situações de crise, de colapso, os saques certamente serão inevitáveis. No começo, serão pessoas que se aproveitarão da inexistência de forças de segurança. Depois, quando a fome e a sede começarem a agir, aí serão quaisquer pessoas...
E aí vem as inevitáveis perguntas: Até onde você iria para proteger a sua casa/apartamento/refúgio de um saque? Você chegaria ao ponto de matar pessoas? E se os saqueadores fossem crianças famintas e desesperadas, você atiraria para matar? Ou você fugiria? Abandonaria tudo o que você guardou durante meses ou anos? Como você se sentiria ao fazer isso?
Se você se preparou, preparou um refúgio, quando o desespero atingir as pessoas e elas perderem todo e qualquer limite, você ainda estaria ao menos bem alimentado, e dono de suas faculdades mentais.
Na teoria, a gente pensa, ou elas ou eu. Mas na prática, para a maioria das pessoas, é muito difícil matar, especialmente os que seriam considerados mais frágeis num mundo civilizado, como crianças ou velhos.
Não vamos nos iludir. No caos, qualquer pessoa, até mesmo os preparadores, podem ser vítimas de saques (e outras situações perigosas). Mas acredito que essa possibilidade é muito maior quanto mais gente estiver no local. Acredito que todo sobrevivencialista que mora em grandes aglomerações humanas deva ter como objetivo viver em cidades menores, ou até mesmo em áreas rurais.
Acredito também que fazer de tudo para evitar enfrentamentos deva ser a estratégia a adotar. Ser o mais discreto possível (mesmo nos dias atuais) aumenta muito a possibilidade de se escapar de problemas.
Pense em tudo isso quando for se preparar. Armas são importantes, e podem garantir, em determinadas situações, a sua sobrevivência. Mas não ache que elas são a solução para tudo. Lembrem-se que algumas pessoas treinadas para matar, como policiais ou soldados, sofrem um impacto psicológico tremendo quando o fazem. Lembrem-se que armas são inúteis quando uma multidão ensandecida ataca. E acima de tudo, lembrem-se que por mais bem armado que um civil (especialmente aqui no Brasil) possa estar, em cenários de crise podemos esperar que, por exemplo, militares, armados com fuzis automáticos, veículos blindados e canhões, possam se tornar saqueadores. É claro que eles procurariam eliminar qualquer foco de resistência, e muito facilmente.
Um preparador precisa manter sempre os pés no chão. Não somos Rambos. Somos pessoas comuns...
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Anestesiados
Não sei se este é um sentimento comum à meus colegas sobrevivencialistas. Mas, às vezes, me sinto revoltado em relação à maioria das pessoas, por elas simplesmente não perceberem que estamos nos esfacelando. Vejam a que ponto chegamos:
Em boa parte das cidades do país, não importando o tamanho, não se tem mais segurança. De caixas eletrônicos a shoppings, passando por supermercados, residências, veículos, transporte público, urbano ou intermunicipal, escolas, templos religiosos e até mesmo delegacias de polícia, nada está à salvo dos bandidos, que, certos de sua impunidade, agem de forma cada vez mais audaciosa. Se são presos, pouco tempo depois acabam soltos.
A crise política que nos atinge é, sem dúvida, a mais séria que já tivemos. De um lado, um governo federal imerso em corrupção e que tomou decisões desastrosas para a economia. De outro, uma oposição igualmente imersa em corrupção e que está interessada não na melhoria das condições do país, mas apenas tomar o poder em proveito próprio.
A crise econômica é séria, embora, até agora, não seja tão grave como as que já enfrentamos nos anos 80. Mas, mesmo assim, vemos milhões de pessoas perdendo seus empregos, milhares de lojas fechando, os preços ao consumidor aumentando sem parar. E, pelas projeções do próprio governo, a crise durará pelo menos até 2017.
A crise hídrica, que, apesar de sua gravidade, tem sido deixada meio de lado pela imprensa, dando a falsa impressão de que já foi solucionada. Os níveis dos reservatórios em boa parte do país continuam a cair, e absolutamente nada é feito, salvo obras que servem de paliativos e que empurram o problema com a barriga para os próximos anos.
As cada vez mais intensas mudanças climáticas. Vejam o exemplo de Porto Alegre, que teve o seu sistema de comportas para evitar inundações acionado pela primeira vez na história. A cidade escapou de uma gravíssima inundação por um triz, porque choveu tanto que quase que o tal sistema não dava conta. Pelo mundo, vimos neste verão do hemisfério Norte os maiores incêndios florestais da história, e, neste momento, a Indonésia sofre com este problema numa escala jamais vista.
Não me conformo com a falta de reações das pessoas. Não há protestos. Tenho idade suficiente para lembrar que já houveram protestos gigantescos contra o governo nos anos 80 e 90 que mudaram os rumos do país. Mas parece que se perdeu esta capacidade de mobilização. Protesto hoje é sinônimo de diversão. Parecem estar todos anestesiados, alheios à gravidade da situação.
No passado, enfrentamos problemas sérios. Já passamos por outras crises políticas e econômicas. Já passamos por racionamento de água e até mesmo de energia.
Mas nunca passamos por tudo isso AO MESMO TEMPO.
E quase ninguém liga. As pessoas não param para pensar que NÃO É NORMAL ter que colocar muros altos, grades, câmeras e outros sistemas de segurança em casa (quem pode fazer isso, é claro). NÃO É NORMAL criar um grupo de vizinhos em aplicativos de comunicação no celular para que eles possam avisar uns aos outros se possíveis bandidos estão rondando pela região. ESTÁ MUITO LONGE DO NORMAL ver uma ESCOLA ser assaltada 3, 4, 5, 10 vezes num ano. NÃO É NORMAL ter um racionamento de água de 15 dias por mês. NÃO É NORMAL ver as principais cidades brasileiras ameaçadas por uma crise hídrica.
São inúmeros os problemas que estamos enfrentando neste momento. Mas a maioria das pessoas vivem como se não houvesse nada errado.
E, se falamos alguma coisa em relação aos problemas, seja nas conversas com os amigos, seja nas redes sociais, somos malucos, pessimistas, doidos, fanáticos, agourentos... Simplesmente se recusam a ver. Parece ser mais fácil se refugiar na mediocridade reinante dos memes, das fofocas, dos esportes. Ficam esperando pelo "salvador da pátria", uma figura humana que vai resolver num piscar de olhos tudo o que há de errado...
Enquanto isso, tudo vai desabando.
Então, o pessimista aqui, vai se preparando. Enquanto eu rezo por um milagre, na forma de chuvas torrenciais nos reservatórios, na forma de uma iluminação divina na mente dos políticos e na abertura dos olhos das pessoas comuns, me previno para a quase certa degradação dos cenários econômico e climático...
Meteoros, tempestades solares, supervulcões e outros desastres da natureza podem (e vão) acontecer. Mas o que nos ameaça a todo momento é a maneira como estamos lidando com os problemas que nos cercam e que, embora não tenham um impacto imediato, vão, aos poucos, nos levando para uma situação sem volta. Se continuar assim, é possível que cheguemos à uma situação descrita no filme No Mundo de 2020 (é um filme distópico dos anos 70, no qual já havia a preocupação com temas ligados à degradação ambiental, econômica e à mudanças climáticas). A maioria dos vivos vai invejar os mortos...
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Sobre Transposição e Crise
O Engodo da
Transposição
Independente de
posição política, nunca fui à favor da Transposição das Águas
do Rio São Francisco. Eu acredito que isso vai representar um
impacto maior do que o rio poderá suportar. E digo porque.
1) Existem na
imprensa nacional, diversas reportagens mostrando que, ao longo do
rio, muitas áreas banhadas pelo rio estão severamente afetadas pela
seca. A navegação e a pesca estão comprometidas em muitos locais.
Segundo muitas análises, esta é a maior seca já enfrentada pelo
rio.
2) Os níveis dos
reservatórios das principais usinas hidrelétricas que fornecem
energia para o Nordeste, e que usam a água do rio, particularmente o
maior deles, que é o de Sobradinho, estão com níveis perigosamente
baixos. Segundo o monitoramento que o Operador Nacional do Sistema
Elétrico faz nestes reservatórios, o nível médio da Região
Nordeste é de cerca de 14,19%, e o do já citado Sobradinho, apenas
8,55%.
Diante destes dois
pontos, surgem as perguntas:
1) Se o rio já está
sendo afetado severamente no cenário atual, como ele ficaria com uma
grande retirada de água representada pela transposição?
2) Existiram estudos
sobre a viabilidade e impacto desta transposição? Ou os interesses
políticos/econômicos foram os determinantes para que tal obra fosse
feita?
3) Quando ficará
pronta? A primeira previsão era 2010. Depois foi adiada para 2012 e
2015. Agora, a próxima possível data de conclusão é 2016/2017.
Será mesmo? Especialmente num cenário totalmente adverso na
economia, em que o governo está sendo obrigado a fazer imensos
cortes em programas fundamentais?
4) Que providências
estão sendo tomadas pelo poder público para evitar, por exemplo, a
retirada ilegal de água do rio? Existem planos elaborados ou em
execução visando a preservação das margens do São Francisco?
O que eu acho é que
a transposição não vai resolver o problema da seca em áreas do
Nordeste. Vai sim, se um dia ficar pronta, agravar os problemas já
existentes no Velho Chico. O rio já está morrendo agora, devido à
péssima gestão pública de suas águas, agravada pelo fator
climático. E, enquanto isso, nenhuma medida é tomada, seja para
fiscalizar as obras da transposição, seja para tomar conta do rio.
A Transposição das Águas do Rio São Francisco está se revelando
um engodo eleitoral, uma miragem no deserto, um delírio febril
causado pela ganância e impunidade de nossos políticos e
empresários inescrupulosos.
A gestão dos recursos hídricos é essencial para a manutenção de nossa sociedade. Dependemos da água até para gerar energia. As consequências do cenário atual podem ser dramáticas. E o que mais me preocupa é que NINGUÉM liga!
Eu intensifiquei minhas preparações, porque certamente enfrentaremos muitas turbulências nos próximos meses. Se for para ser pessimista, apagões poderão se tornar frequentes e o racionamento de água mais intenso, aumentando ainda mais a já crescente tensão social...
Espero que um milagre ocorra, que venha muita chuva e que a situação se normalize. Mas é bom NÃO contar com isso...
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